Sua cama é
a tarimba feita de varas e cipó embira.
No lugar do colchão são esteiras de tabôa.
Se não for posta no chão de terra rasteira.
Assim dorme o caipira cansado numa boa.
Suas panelas
feitas do próprio barro.
A caçarola a fruteira e até mesmo a chaleira.
Tudo em sua casa é artesanato e bizarro.
O banho é no riacho de água doce! Esse é seu banheiro.
Ele é
feliz! Faz tudo com maior prazer.
Sua felicidade é viver! Sofre assim mesmo vive a cantar
Não conhece o conforto; nada de muito saber.
Os anos passam, nunca sabe o quanto vai durar.
Não se
preocupa com o tempo, com dias ou com a hora.
Só sabe quando levantar, no segundo cantar do galo.
Ele vai para o trabalho, quando o relógio toca lá fora.
Sua bela e simples vida, para o seu almoço não tem intervalo.
Sua felicidade
é limitada! Tão pouco é o seu mundo.
Vive sem maldade no coração assim ele nasceu.
Vai vivendo! Seu amor pela terra é profundo.
Muitas vezes fica fazendo contas, para saber o quanto já viveu.
Sofre sem saber
o que é sofrer! E canta até sem querer.
Nunca aprendeu a ler e escrever e muito menos contar.
É justo viver assim! Com seus entes queridos sem poder nem escrever?
Se quando o lápis e papel, dizemos o que não queremos falar.
Até e
vergonha que um galo seja relógio que pode badalar.
Que a tabôa na tarimba o seu macio colchão.
A terra o piso de sua casa, que viva sempre de pés no chão.
Tudo é bizarro, é pena que muitas coisas venham faltar.
Se eles aprenderam
escrever muita coisa iriam compreender.
Tudo poderá mudar! Vão melhor se orientar e até saber
contar.
Deixaram de ser cegos! Vai ser muito bom! Pois terão um bom viver.
Ai... Vocês políticos! Vocês poderão dar luz aos
olhos dos que querem enxergar
Os caipiras são
excelentes homens, de grande valor.
Pessoas de corações nobre de grande valentia constantes.
Vivem para cuidar da terra, tirando dela iguarias de muito sabor.
Mesmo sendo grotescos, são pessoas dignas e valentes.